segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Eleições 2008 - Escolha com responsabilidade


A Transparência Brasil (TBrasil) é uma organização independente e autônoma brasileira, que tem como principal objetivo à luta contra a corrupção no Brasil. A organização foi fundada em abril de 2000 por um grupo de pessoas e organizações não-governamentais e encontra-se sediada em São Paulo.

A Transparência Brasil disponibiliza diversos publicações, serviços, ferramentas e bancos de dados para monitorizar a corrupção política no Brasil, accessíveis gratuitamente pela Internet. Entre outros:

O Projeto "Excelências" recebeu em 2006 o Prêmio Esso de Jornalismo na categoria "Melhor Contribuição à Imprensa em 2006". A continuação do projeto foi garantido por um financiamento da organização das Nações Unidas United Nation Democracy Fund (em português: Fundo das Nações Unidas para a Democracia).

Política de Segurança do RJ: Metas e Resultados


Perguntas sem Respostas

Jacqueline Muniz

Domício Proença Júnior

A política de segurança no Rio de Janeiro parece entender o narcotráfico como um desafio à soberania do Estado. Um desafio cuja única resposta cabível é a de uma forma de guerra — interna, limitada, contra-guerrilheira — que combate o assim chamado “crime organizado” e contesta seus “santuários”.

Esta lógica de intervenção nos parece, em princípio, inadequada ao tratamento das questões de ordem pública. Mas, antes de insistir nesta crítica inicial, entendemos que uma política de segurança merece ser avaliada em função de suas próprias diretrizes. Quais são os critérios de atuação deste modelo para avaliar o seu próprio sucesso ou fracasso?

Na boa teoria da contra-guerrilha, consideram-se dois aspectos principais:

O primeiro é a relevância da dimensão psicossocial que predomina em todos os momentos do conflito. Não é o ato guerrilheiro em si que ameaça a segurança, mas a possibilidade, a perspectiva perene desta ação.

Esta expectativa engendra um sentimento generalizado de insegurança que deve ser considerado uma área de ação tão importante quanto as expectativas e demandas das ruas. Numa democracia, isto se traduz por um esforço incansável de se manter a opinião pública adequadamente esclarecida. Sem esta transparência, se aceita o risco de um agravamento do temor e a conseqüente perda da credibilidade dos órgãos de segurança.

O segundo é a necessidade do uso de índices objetivos de vitória ou derrota, que buscam expressar a materialidade do desenrolar de um conflito. São índices que instruem as avaliações e orientam os planejamentos: o número de inimigos vencidos (mortos, feridos e capturados), o número e tipo das armas perdidas pelo inimigo, a diminuição da atividade-fim que norteia a ação do adversário, o tempo e a qualidade do controle do território.

Esses resultados são, então, contrastados com o dispêndio dos meios empregados: as baixas sofridas, os custos da manutenção das forças e de suas operações, os custos da elevação do nível de controle sobre o território.

A estes custos diretos se somam ainda os indiretos, os recursos perdidos pela persistência do conflito: as perdas de inocentes (baixas colaterais) e o prejuízo às atividades econômicas e sociais — os efeitos nefastos da ampliação do risco e do sentimento de temor, que afastam investimentos, inibem iniciativas e incrementam as desordens e os distúrbios sociais.

Contrariando o que seria a prática de uma guerra contra o crime igualado à guerrilha, a atual política de segurança não tem adotado, de forma consistente, nem a perspectiva psicossocial nem as ferramentas analíticas de desempenho. A ênfase exclusiva no número de mortos, ainda que de parte a parte, constitui exemplo típico de um emprego superficial do acervo de técnicas da contra-guerrilha.

Vale insistir: se a luta contra o “crime organizado” deve ser conduzida em termos bélicos, então é preciso verificar sua consistência com os preceitos bélicos. Isto é: não se pode conduzir o conflito apenas em termos das táticas do enfrentamento, sem a análise estratégica e logística das perspectivas de vitória, sem um enquadramento que reconheça as expectativas da população como campo dominante de intervenção.

É dizer: a variável denominada “saldo de mortos” é insuficiente para realizar uma avaliação dos resultados atingidos.

Esta discrepância entre o método e o que vem sendo apresentado como índice suficiente de sucesso contra o “crime organizado” no Rio de Janeiro parece indicar um de dois cenários: Ou se trata de uma opção deliberada de comunicação social, na qual se omitem os índices de desempenho da opinião pública, ou simplesmente de inconsistência real na aplicação do próprio modelo de intervenção escolhido.

No primeiro caso, sacrifica-se o espaço da transparência em nome, talvez, de uma visão equivocada de sigilo, na qual toda população é percebida como uma massa de “elementos suspeitos” — ou, mesmo, incapaz de entender e colaborar com a estratégia adotada. No segundo caso, o diagnóstico é ainda menos feliz, pois, sem dispor dos índices, pode-se estar atuando às cegas.

Uma avaliação adequada contemplaria os resultados obtidos diante dos custos, à luz das metas. Neste caso, a meta parece ser a de vencer o “crime organizado”. Seguindo a estrutura exposta mais acima, cabe ponderar, aceita a lógica bélica, sobre as seguintes questões:

1) O saldo de mortos reflete um aumento generalizado do nível de atividade de repressão, isto é, espelha um aumento significativo das prisões, apreensões e ganhos de controle territorial sobre o crime?

2) Ou, ao contrário, expressa apenas um aumento da letalidade da ação policial?

3) Como o extermínio não é uma política possível, este incremento de mortes resulta de uma nova ênfase operacional ou de dificuldades de controle no emprego de táticas contra-guerrilheiras no contexto da segurança pública?

4) Houve diminuição da prática criminosa organizada como resultado desta escalada?

5) Houve encarecimento nos preços de drogas e armas como resultado do “custo de risco” da política adotada?

6) Houve recrudescimento de atividades criminais correlatas?

7) Qual foi o efeito desta política sobre as chefias e sobre a tropa do “inimigo”?

8) Houve deserções desde o crime?

9) Desmantelaram-se organizações?

10) Interromperam-se os fluxos do tráfico?

11) Qual é a taxa de eliminação (morte, prisão) do inimigo para cada policial perdido (morto, ferido, incapacitado)?

12) Quais foram as denominadas situações táticas típicas?

13) Como se poderiam minorar as baixas — de ambos os lados — nos enfrentamentos?

14) As perdas sofridas pelas polícias (mortos, feridos, incapacitados) no combate ou em função dele foram mensuradas com o risco e, em especial, com os resultados obtidos?

15) No nível atual de perdas, o fluxo de reposição das polícias e sua coesão são capazes de sustentar a funcionalidade da instituição e desta política no médio e longo prazo?

16) Quais são os prognósticos gerais de vitória em termos de operações e custos (especialmente, mortes)?

17) Há perspectiva de se vencer o crime?

18) Em que termos?

19) Em que prazo?

Sem respostas a estas perguntas e sem os dados para respondê-las, qualquer avaliação torna-se impossível e qualquer prognóstico, demagógico. A credibilidade da política de segurança fica comprometida na ausência de respostas conseqüentes e dos dados básicos.

Na ausência de esclarecimentos deliberados, a população pode percebê-la como um gesto discricionário, que eleva a violência mas não atende às suas demandas por segurança. A situação é ainda mais grave se a atual política abriu mão dos índices de desempenho.

Se for este o caso, cabe indagar sobre como avaliar, planejar e controlar as ações necessárias para uma busca racional de vitória. Sem estes índices, as ações se reduzem a sucessivas atitudes reativas, entremeadas com ações táticas de espetáculo, que carecem de um rumo estratégico.

É assim que se perde.

Artigo publicado no Jornal do Brasil, 07/05/96.

Drogas: Uma guerra perdida.


Fracasso da política global de combate às drogas, motiva debate internacional sobre o tema e fortalece teses de regulação e redução dos danos (Extraído na Íntegra do Jornal O Globo, O MUNDO, pág. 40, Domingo, 14 de setembro de 2008).

Nos anos 70, os EUA declararam guerra às drogas. Em 1998, a ONU preconizou “um mundo livre de drogas”.

Desde então, o consumo de maconha e cocaína na América Latina mais que triplicou.

O plantio de coca aumentou de 160 mil hectares a mais de 200 mil e a produção cresceu na ordem de 20%, apesar das políticas de erradicação. As margens de lucro superam os prejuízos.

O crime organizado associados às drogas continua a se expandir e a se sofisticar, corrompendo os poderes e ameaçando a democracia.

O total de usuários regulares de drogas no mundo é estimado em 200 milhões de pessoas.

A maconha é a droga mais consumida (160 milhões), embora o percentual de uso problemático seja reduzido. Anfetaminas e ecstasy já superam cocaína e heroína.

Investe-se muito mais em repressão ao consumo e encarceramento que em prevenção tratamento, redução de demanda e campanhas educativas.

Com 5% da população mundial, os EUA têm 25% da população prisional do planeta, sendo que meio milhão (1/4) relacionado a drogas.

Ao mesmo tempo, os EUA atingiram a auto-suficiência em produção de maconha para o uso doméstico.

A política proibicionista, dificultou a abordagem na escola, na igreja e na família, penalizando as classes pobres.

A Europa vem priorizando redução de danos, descriminalização do uso, distribuição de seringas, tratamento obrigatório de viciados e criação de penas alternativas.

Em países da América Latina como Brasil e Colômbia, uso e posse de pequenas quantidades vêm sendo despenalizados.

Cresce o pensamento com foco nos direitos humanos, no respeito a culturas ancestrais, aos pequenos agricultores, a modos de cultivo alternativos e programas de reinserção.

Teóricos americanos ultraliberais defendem a legalização de produção, distribuição, venda e uso de todas as drogas.

Os mais moderados defendem a regulamentação da maconha e controle semelhante ao hoje exercido, com sucesso, sobre o uso do álcool e do tabaco.

Teses regulatórias prevêem, através de impostos, migração do capital da droga para campanhas educativas, implemento do controle, inteligência, pesquisa e saúde pública.

Na Califórnia a produção e a distribuição de maconha para uso médico já é taxada.

A proibição do álcool entre 1919 e 1933 nos EUA aumentou o consumo e gerou crime e violência, fazendo a glória de vultos com Al Capone. Constado o fracasso, a emenda foi revogada.

Sete vezes maior que o da maconha, o uso do tabaco cai e o fumo se torna anti-social sem necessidade de repressão ou encarceramento.

Fontes: Transational Institute (TNI); Assembléia Especial das Nações Unidas, 1998 (UNGASS); World Drug Report / (UNDOC), 2008; Common Sense for Drug Policy Alliance; Comissão Latino-Americana sobre Drogas e Democracia; Office Off National Drug Control Policy (USA).

Drogas: um desafio latino-americano.


A política de drogas adotada pela ONU desde 1999 considera que usar, produzir e comercializar drogas é crime. A meta adotada pelos países membros previa a erradicação das drogas num período de 10 anos. O prazo, no entanto, está chegando ao fim sem que se tenha qualquer avanço neste sentido.

Verifica-se aumento no consumo de drogas em quase todos os países da América Latina. Os dados indicam que a política de "guerra às drogas", defendida principalmente pelos Estados Unidos, não está dando resultados, e mais: especialistas apontam que ela ainda é responsável pelo surgimento de uma série de novos problemas, como o aumento da violência armada e a explosão da população carcerária. De acordo com o último Relatório Mundial sobre Drogas (PDF em inglês), publicado anualmente pela ONU, 4,8% da população mundial entre 15 e 64 anos usaram drogas em 2007. O estudo também aponta o Brasil como o segundo maior consumidor, atrás apenas dos EUA.

Em 2009, a ONU voltará a discutir o tema e fará uma revisão desta política, abrindo uma brecha para a busca de novos modelos. As políticas de redução de danos, adotadas amplamente na Europa, trazem uma abordagem do tema pela via da saúde pública, e não da segurança. Para alguns ativistas, é a forma ideal de tratar a dependência e o abuso de drogas, separando esta questão do problema causado pelo uso de armas de fogo e pelo domínio de territórios por traficantes. Para outros, as drogas deveriam ser completamente legalizadas. Há ainda os que acreditam que a "guerra às drogas" deve continuar. Norte-americanos e europeus parecem ter claras as suas opções. E os latinos- americanos, que modelo devem defender?

Para responder essa pergunta, foi criada a Comissão Latino-Americana Sobre Drogas e Democracia, com a missão de contribuir para a discussão com o olhar latino-americano. É tempo, portanto, de renovar o debate. Com esse objetivo, o site Comunidade Segura reúne neste dossiê reportagens e entrevistas exclusivas, além de documentos sobre a problemática das drogas e seus desdobramentos na região.

Biblioteca Virtual:

Los daños de la prohibición de las drogas en las Américas
Ethan A. Nadelmann, fundador e diretor executivo da Aliança de Política de Drogas

A regra da exceção: poder soberano e biopolítica na “guerra às drogas.”
André Saldanha Costa, Universidade Federal Fluminense - UFF, 2007. Dissertação de mestrado.

Uso de drogas e criminalidade urbana
Márcio Mothé Fernandes, Ministério da Justiça – MJ. Publicação de Internet

Vivir de la cabeza: El sentido de un tratamiento de atención a drogodependientes
Brígida Renoldi, Universidad de Buenos Aires - UBA, 1998
Monografia de Pós-graduação (latu sensu)

O discurso do "combate às drogas" e suas ideologias
Sandra Oliveira e Richard Bucher - Universidade Católica Dom Bosco, 1994
Artigo de Periódico

Justiça Terapêutica
Flavio Augusto Fontes de Lima - Ministério da Justiça MJ
Publicação de Internet

Justiça Terapêutica para Usuários de Drogas e Justiça Terapêutica no Rio de Janeiro
Márcio Mothé Fernandes - Ministério da Justiça MJ
Publicação de Internet

Drogas, indivíduo e família: um estudo de relações singulares
Zélia Freire Caldeira - Escola Nacional de Saúde Pública - FIOCRUZ, 1999
Dissertação de Mestrado

Em outros sites:

Reflexiones y advertencias sobre la militarización de la represión del tráfico ilícito de drogas en América del Sur
Pablo Dreyfus, Facultad Latinoamericana de Ciencias Sociales, 2004. Publicação de Internet

When All the Evils Come Together- Cocaine, Corruption and Shining Path
Pablo Dreyfus, Journal of Contemporary Criminal Justice, 1999.
Artigo de periódico

As ligações perigosas; Mercado formal ilegal, narcotráfico e violência no Rio

Michel Misse, NECVU. Publicação de Internet.

Crime e Drogas: Consumo e tráfico

Helder Ferreira, Viviane Cubas, João Luís de Sousa, Universidade de São Paulo USP. Publicação de Internet.

Sua cannabis é um esterco? E sua imprensa? (por Fernando Soares Campos, em La Insignia)

Estados Unidos gastam com repressão às drogas sem sucesso (por Aline Beckstein, na Agência Brasil)

Por que legalizar o uso das drogas (por Ricardo Corrêa Coelho, no site de Luiz Eduardo Soares)

Núcleo de Estudos Interdisciplinares sobre Psicoativos (Neip)

Rede Brasileira de Redução de Danos (Reduc)

Psicotropicus

Aliança de Política de Drogas

Coca (19 minutos) - Documentário produzido por Carola Mittrany e Helena Klang

Outros Dossiês:

Coca: droga ou tradição?

Conflito na Colômbia

Fonte: Matéria Extraída na Íntegra do Site Comunidade Segura (http://www.comunidadesegura.org/?q=pt/node/39838)

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Cleyde Prado Maia tem morte cerebral



04 de setembro de 2008, Extraído do Blog Casos de Polícia do Jornal Extra

Um dos símbolos da luta pela paz no Rio, Cleyde Prado Maia, mãe da jovem Gabriela Maia Ribeiro — morta por uma bala perdida durante um tiroteio na estação São Francisco Xavier do metrô, na Tijuca, em 2003 — foi internada esta manhã numa clínica, em Laranjeiras, após sofrer um acidente vascular cerebral.

Cleyde estava com problemas de pressão arterial desde sexta-feira passada, quando recebeu na Assembléia Legislativa do Rio (Alerj) a Medalha Tiradentes por sua luta contra a violência. Ela se emocionou bastante durante a cerimônia, quando foi relembrada a morte da filha, e saiu de lá com sintomas de pressão alta, que continuaram durante esta semana.

Hoje, Cleyde sofreu um derrame logo depois de acordar, e foi levada para a clínica. Segundo Carlos Santiago, ex-marido de Cleyde e pai de Gabriela, os médicos disseram que o derrame, de grande extensão, seria praticamente irreversível. Cleyde teve a morte cerebral diagnosticada, e respira com o auxílio de aparelhos. O blog Casos de Polícia se solidariza com a família de Cleyde.

Para saber mais sobre a luta de Cleyde acesse: http://www.gabrielasoudapaz.org/