terça-feira, 12 de maio de 2009

Rio de Paz - As Pedras da Barbárie











A FRAQUEZA DOS BONS

“É meu objetivo, sendo alguém que viveu e foi atuante nesses dias, mostrar com que facilidade a tragédia da Segunda Guerra Mundial poderia ter sido evitada; como a maldade dos perversos foi reforçada pela fraqueza dos virtuosos”.

Essas foram palavras proferidas pelo grande estadista inglês, Winston Churchill, após a Segunda Grande Guerra - conflito que ele chamou de desnecessário - não porque a Inglaterra não devesse ter participado da luta contra a ameaça que Hitler representava para a humanidade - mas porque poderia perfeitamente ter evitado 05 (cinco) anos de derramamento de sangue, que representou a morte de 50 milhões de seres humanos (a maioria civil), se tivesse encarado de modo firme e responsável os sinais que a Alemanha emitia de que estava se armando para subjugar as nações livres.


Uma geração de políticos "bananas" decidiu não decidir e só partiu para a ação quando a morte de milhares de cidadãos tornou-se o único meio de salvação.

Bom, o restante da história conhecemos – somos eternos devedores ao sangue inglês – graças a essa gente, tanto civis quanto militares, que unidos e inicialmente só enfrentaram em desvantagem numérica e bélica a fúria do exército inimigo, a humanidade foi tanto salva de um massacre que poderia ter sido maior quanto foi liberta de uma ideologia racista.


Não há nada mais deletério para a democracia do que os bons não serem tão resolutos na promoção do bem quanto os perversos o são na promoção do mal.

É trágico quando homens bons esquecem-se de que “a maldade dos perversos pode ser reforçada pela fraqueza dos virtuosos”.


É chocante ver gente boa que não mata, mas deixa matar. Gente que é incapaz de dar um tiro, mas que movida por um falso conceito de distinção de raça e classe social espanta-se mais com a morte de uns do que com a morte de outros.

Amigos: 17.000 mortes violentas e 11.000 pessoas desaparecidas em apenas 02 (dois) anos e 04 (quatro) meses no estado do Rio de Janeiro. A vasta maioria dessas vítimas pobre e negra. A classe média não suportaria tal massacre na mesma extensão. O que estamos esperando? Engajar-nos na luta pela vida somente após uma bala ter atingido um parente nosso? Comportar-nos como humanos apenas após o processo de humanização proveniente da dor dilacerante da perda de alguém que amamos?

Estamos de volta às ruas – gente ingênua (o que muitos dizem), mas que poderia fazer diferença se tivesse, nesse cenário de genocídio, milhares de ingênuos ao seu lado lutando pelos direitos da cidadania.
Ingênuos que crêem na vitória da vida sobre a morte mediante a utilização das armas da paz, da criatividade, da justiça, da razão e do amor. Por que mais uma manifestação? Mais uma vez a velha frase e a antiga resposta: “Para que o mal triunfe, é necessário apenas que os homens de bem permaneçam inativos”. O mal está triunfando no Rio de Janeiro e muita gente boa está calada.

Antonio Carlos Costa - Presidente do Rio de Paz

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