segunda-feira, 30 de junho de 2008

Ponto de Vista: Corrupção e Política

O combate à corrupção como política pública.

Coronel de Polícia RR

Alexandre Carvalhães Rosette

O Brasil é o país do “jeitinho”.

A validação desse pensamento amplamente difundido em todos os rincões do nosso país; quer na sua origem histórica, quer na sua evolução social desde o colonialismo, passando pela escravização, às diversas formas de dominação imposta pelos governos, fossem ou não democraticamente eleitos, quer na hierarquização de nossa sociedade; tem uma norma, eternizada numa célebre frase de propaganda, que a exterioriza e foi proferida pelo jogador de futebol Gerson, tri-campeão mundial em 1970: “... porque eu gosto de levar vantagem em tudo, certo?”

O chamado “jeitinho brasileiro”, considerado ainda por significativa parcela da população como “culturalmente positivo”, ou como “malandragem”, não passa de uma forma heterodoxa de legitimar aquilo que é ilegal.

A corrupção é um comportamento considerado desviante pela sociedade, não só no seu aspecto jurídico-legal, mas também na visão moral. Tem característica peculiar pois sua ocorrência, como fato social objeto de estudo, recai não sobre um indivíduo isolado, mas sobre muitos, ou pelo menos, dois indivíduos: um ativo que requer um benefício ou vantagem ao qual não tem direito e um passivo, responsável pela preservação dos valores requeridos pelo ativo que sucumbe a uma oferta vantajosa feita por aquele.

É um comportamento que se fortalece mais em regimes autoritários ou em sociedades hierarquizadas e holísticas como a brasileira, onde as desigualdades sociais alimentam-no, do que nos regimes democráticos plenos ou em sociedades igualitárias e individualistas onde sua visibilidade torna-se maior, conseqüentemente aumentando o controle e reduzindo seu alcance.

Há que se observar, contudo, que o combate à corrupção não é tarefa fácil. Tampouco se pode associar seu controle simplesmente à redução de uma visão moralista, ou seja, combater a corrupção combatendo o corrupto – a recorrente “teoria de eliminação das maçãs podres”.

É uma visão canhestra e pouco abrangente do problema pois considera a corrupção um comportamento desviante praticado apenas pelo seu sujeito passivo e prega a “eliminação” deste como medida saneadora.

Desconsidera, portanto, além do sujeito ativo, todo um sistema que propiciou sua ocorrência, alheando, assim, de uma abordagem organizacional – um grande “esquema” engendrado para propiciar a corrupção, como por exemplo o atual sistema tributário e legal do país ou a burocracia das normatizações.

O primeiro tratamento exigido pela sociedade diante da exposição da corrupção praticada por agentes públicos é o da imediata punição do corrupto, o sujeito passivo. A seguir, em grau decrescente vem o do corruptor, sujeito ativo, para finalmente, mas nem sempre, chegar-se ao cerne, a gênese daquilo que propiciou o cometimento daquelas infrações, o sistema impessoal, um “sujeito sem rosto”. Este último, via de regra, é preservado pela vilania dos que deveriam eliminá-lo – os políticos – pois almejam ocupar o lugar dos que se locupletavam anteriormente.

Enquanto estivermos, de forma apaixonada e superficial, a exigir “cadeia para os corruptos” e não erguermos a cabeça para enxergarmos além deste “mar de lama”, estaremos fadados à busca de uma forma eficaz de “enxugar o gelo”.

Essa questão certamente estará no eixo das discussões, mais uma vez, neste ano eleitoral; e a “Lei de Gerson” em pauta para “revogação”, mas resta sabermos: será “revogada”?

quinta-feira, 26 de junho de 2008

Rio 40 Graus..



Rio 40 graus
Cidade maravilha
Purgatório da beleza
E do caos...

Capital do sangue quente
Do Brasil
Capital do sangue quente
Do melhor e do pior
Do Brasil...

Cidade sangue quente
Maravilha mutante...

O Rio é uma cidade
De cidades misturadas
O Rio é uma cidade
De cidades camufladas
Com governos misturados
Camuflados, paralelos
Sorrateiros
Ocultando comandos...

Comando de comando
Submundo oficial
Comando de comando
Submundo bandidaço
Comando de comando
Submundo classe média
Comando de comando
Submundo camelô
Comando de comando
Submáfia manicure
Comando de comando
Submáfia de boate
Comando de comando
Submundo de madame
Comando de comando
Submundo da TV
Submundo deputado
Submáfia aposentado
Submundo de papai
Submáfia da mamãe
Submundo da vovó
Submáfia criancinha
Submundo dos filhinhos...

Quem é dono desse bêco?
Quem é dono dessa rua?
De quem é esse edifício?
De quem é esse lugar?...

quinta-feira, 19 de junho de 2008

Operação Segurança Pública Ltda.


As atitudes criminosas consumadas por militares do Exército Brasileiro, contra três jovens moradores do Morro da Providência, em nada contribuem para o encaminhamento de conclusões simplistas por parte de autoridades públicas do Rio de Janeiro.

Por exemplo, dizer que o exército não está preparado para atuar na segurança pública além de constituir-se num argumento oportunista e falacioso, significa, em última instância, desconhecer completamente a realidade presente em muitas comunidades populares.

Nesses espaços geográficos urbano, geralmente denominados favela, predomina o domínio territorial armado imposto por narcotraficantes que, em algumas ocasiões, utilizam práticas terroristas para, através da exacerbação do medo, intimidar a população e as autoridades dos poderes públicos constituídos.

Estamos falando de uma situação real que por si só expressa um estado de grave perturbação da ordem pública com notório comprometimento do funcionamento das instituições democráticas e republicanas.

Estamos falando da necessidade premente do Estado brasileiro resgatar o monopólio da força em alguns desses territórios, uma conquista indelével da humanidade, um marco inquestionável da nossa civilização. Estamos falando da possibilidade constitucional de decretação do Estado de Defesa.

Por outro lado, o discurso da desqualificação do Exército a partir de ações isoladas, pressupõe que as forças policiais do estado do Rio de Janeiro são plenamente capazes de cumprir com a sua missão constitucional e de intervir na realidade violenta e criminosa que assola diariamente a vida da população fluminense, o que não é verdade.

Se tomarmos como corolário esse raciocínio medíocre, expresso por diversas autoridades e por especialistas da área de segurança pública, também chegaríamos facilmente à conclusão de que em razão dos inúmeros casos de policiais que participam de grupos de extermínio, ou estão diretamente envolvidos com atividades criminosas, milícias, etc, as polícias civil e militar também não estão preparadas para atuar na segurança pública.

Então, o que fazer de imediato diante desse quadro caótico conceitualmente definido por Durkheim como estado de anomia?

À primeira vista, me parece bastante razoável que os Poderes Públicos, federal e estadual, reconheçam publicamente três realidades que insistem em negligenciar: 1) a existência no Rio de Janeiro de espaços geográficos dominados territorialmente por grupos paramilitares, que impõem aos subjugados uma política de terror para perpetuação de suas atividades ilícitas; 2) a falências de diversas instituições públicas, em especial as organizações de segurança pública do estado do Rio de Janeiro; 3) a ausência, no âmbito nacional e estadual, de uma efetiva política de segurança pública, integrada, objetiva e consistente.

O segundo passo seria, depois de superadas as vaidades pessoais e institucionais das nossas autoridades públicas, bem assim as disputas de poder não declaradas, reunir ao redor de uma mesa todas as forças e atores sociais relacionadas com as questões acima expostas, para que sejam traçadas as estratégias necessárias objetivando, sobretudo, a retomada do território, a garantia plena do funcionamento das instituições republicanas e o livre exercício dos direitos civis.

Essas ações devem ser imediatamente desencadeadas, principalmente em face dessas novas ameaças que estão caracterizadas pelo domínio territorial armado e pela prática do terror imposta tanto por narcotraficantes quanto por forças milicianas com grave risco e comprometimento para o funcionamento dos poderes constituídos.

São medidas adotadas em razão dessas novas ameaças e que se enquadram perfeitamente a um novo conceito de segurança que já vem sendo aplicado e desenvolvido nos Estados Unidos da América e na União Européia: trata-se de um novo modelo estratégico denominado em alguns países de “Segurança Interior”.

O terceiro e decisivo passo seria a promoção de uma ampla e profunda reforma no sistema brasileiro de segurança pública. Nesse sentido, a despeito de outras providências, duas medidas me parecem fundamentais: 1) a desvinculação das Polícias Militares do Exército Brasileiro; e, 2) a substituição do atual modelo de funções policiais bipartidas pelo modelo institucional baseado no ciclo completo da atividade policial. Feita essa necessária reforma aí sim poderíamos almejar algum dia, quem sabe, ter uma polícia verdadeiramente cidadã.

ANTONIO CARLOS CARBALLO BLANCO

Tenente – Coronel de Polícia e Membro do Movimento Segurança Cidadã.

Regras de mais e princípios de menos

EXTRAÍDO DO BLOG DO GUSTAVO DE ALMEIDA

Por Luís Mauro Ferreira Gomes

Em 17 de junho de 2008


O ataque cerrado as Forças Armadas brasileiras continua cada vez mais intenso.

Desta feita, o instrumento usado foi assassinato de três jovens depois de terem sido presos por militares e, inexplicavelmente, entregues, pelos coatores, a traficantes de uma facção rival.

Imediatamente, várias autoridades passaram a dar declarações preconceituosas, com o objetivo de debitar ao Exército, como instituição, a responsabilidade pelo crime, cujos autores, ao contrário do que normalmente ocorre, já foram identificados e presos.

Para o presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil, o Exército tornou-se "um protagonista nocivo, na tragédia de horrores imposta aos moradores". Que a tragédia foi um horror, nem era preciso dizer, mas ver nocividade no Exército seria como considerar a OAB nociva, porque alguns advogados transportam droga para traficantes ou transmitem sentenças de morte geradas dentro dos presídios, para os criminosos que as executarão do lado de fora.

As manifestações de indignação quase histéricas, cuidadosamente encenadas por alguns, não se justificam, pois os culpados serão, inevitavelmente, condenados.

E o serão, justamente, por serem militares. Dissemos "justamente", porque os militares não adotam a lógica do presidente e de seus seguidores, para os quais o aparelho repressor do Estado serve, apenas, para constranger adversários políticos.

Os aliados são sempre intocáveis. Onde estarão, agora, os "mensaleiros"; os "cuequeiros"; os "sanguessugas"; os mafiosos da saúde; os "aloprados"; os usuários dos cartões de crédito ditos corporativos; os autores do dossiê da Casa Civil; os traficantes de influência da venda irregular da VARIG; os assassinos dos prefeitos do PT, vitimados em meio à queima de arquivos, nos escândalos de desvio de dinheiro público; os ministros; os parentes e os amigos do presidente?

Como se vê, nenhum desses casos envolvia militares. A impunidade só vigora nos meios castrenses, quando imposta pela Justiça, contaminada pelos "defensores dos direitos humanos", mais interessados em quebrar a espinha dorsal das Forças Armadas, demolindo-lhes os princípios basilares da Hierarquia e da Disciplina.

Ninguém verá a “tropa de choque” do Exército ser chamada para "blindar" criminosos. Esta será preservada para usos mais nobres, quando tal se fizer necessário.

A Força Terrestre sempre procurou evitar o seu emprego em operações de Garantia da Lei e da Ordem, sem o cumprimento de todos os ritos legais.

O que, então, estaria o Exército fazendo no Morro da Providencia?

Infelizmente, o presidente envolveu, indevidamente, os militares, coagindo-os, como Comandante Supremo das Forças Armadas, a participar de um projeto de cunho político-partidário, para favorecer o seu candidato à prefeitura do Rio de Janeiro.

Assim, a indignação presidencial com o envolvimento de militares no crime, só se explicaria pelo desgaste que isso possa ter causado ao seu candidato.
Em verdade, o presidente deve estar exultante.

A exposição da sua política indigenista antinacional e criminosa deflagrou um intenso esforço para desacreditar o Exército, utilizando-se, inclusive, do recurso à baixaria, com a exploração, nos meios de comunicação, das declarações de militares homossexuais desajustados. Um presente desses deve tê-lo deixado muito feliz.

O presidente "indignado" mandou, então, o ministro da Defesa acompanhar as investigações. Ressuscitado, agora, depois do grande silêncio obsequioso a que se viu condenado, quando foi confrontado pelo Alto-Comando do Exército em decorrência de suas bravatas iniciais, o ministro não nos parece, mercê do seu passado, a melhor pessoa para acompanhar qualquer investigação.

E ele não perdeu tempo. Tratou, logo, de tirar proveito da situação, ao augurar, em busca de mais quinze minutos de fama, uma reação forte, da sociedade, e radical, da Justiça, contra o nosso Exército. Novamente, a avaliação do ministro foi equivocada. Reação forte da sociedade, quando houver, será contra esse governo desastroso.

Contra as Forças Armadas, somente as manifestações orquestradas pelos inimigos tradicionais e já conhecidos, para os quais tudo vale, desde que seja para destruí-las.

O Exército Brasileiro é instituição permanente e continuará respeitado por todos, muito depois que os nossos maus governantes tenham sido varridos da História.

Até o ministro Tarso Genro saiu do limbo e voltou a "deitar falação".

A contaminação ideológica é tanta, que ninguém fala dos traficantes do Morro da Mineira, os verdadeiros assassinos dos rapazes, nem do absurdo de existirem, na cidade, com a tolerância do Estado, áreas controladas por essa ou por aquela facção criminosa. O Ministro da Justiça, tão diligente contra os rizicultores, também silenciou sobre isso. Só interessa ferir, de morte, o Exército. Mais uma vez, fracassarão.

Mas a responsabilidade do presidente vai muito além do que já foi dito.
Com os baixos soldos, as graves restrições orçamentárias e o desprestígio que têm sido impostos às Forças Armadas, a seleção de pessoal ficou muito prejudicada. O recrutamento de militares nas áreas controladas por traficantes e a sensação de impunidade generalizada, sem dúvida, contribuíram para essa barbárie.

Por tudo isso, é o presidente quem menos tem o direito de se indignar. Ele é a principal fonte de todos os nossos problemas e, portanto, também, da nossa indignação, esta, sim muito justa.

Para agravar a situação, recentemente, o Tribunal Superior Eleitoral sucumbiu à lógica dos criminosos e perdeu a chance de resgatar parte da moralidade nacional.

Alguns ministros parecem haver-se esquecido de que a aplicação do Direito se rege por princípios e por regras, para se concentrarem, exclusivamente, nestas últimas.

É incompreensível que quatro deles tenham preferido permitir que maus cidadãos se aproveitem de suas próprias ações dolosas e torpes para conseguirem imunidades, que lhes garantam continuar a praticar seus crimes livremente.

No Brasil, há regras demais e princípios de menos. Vivemos em um caos jurídico, onde os bons são oprimidos e os maus têm toda a proteção do Estado.
Isso decorre da anomia intencional que a ditadura petista nos impõe, para desestruturar o Estado de direito, em benefício de seu projeto despótico de poder.

Por que alguém se sentiria obrigado a respeitar as Leis, se, todos os dias, os ministros e o próprio presidente as violentam, sem qualquer pudor, e debocham de toda a Nação, negando, cinicamente, todas as evidências das atividades ilícitas que cometem às escâncaras? Tudo, tranqüilamente, sem que nada se faça para impedi-los.

Todas as regras têm seus limites e somente devem servir para proteger quem, também, as cumpra.

O Estado de direito tem o dever de usar todos os meios à sua disposição, para proteger-se de todos os que o ameaçam, inclusive de ministros e presidentes.

*Coronel-Aviador reformado.

sábado, 14 de junho de 2008

RPS Brasil - Rede Brasil de Policiais e Sociedade

INSCRIÇÕES PRORROGADAS!!!

ATÉ O DIA 20 DE JUNHO


Workshop para Policiais Brasileiros



A Rede Brasileira de Policiais e Sociedade Civil (RPS) lança nesta terça-feira (27) o edital para o workshop “Liderança para o desenvolvimento institucional policial: práticas e saberes policiais”, com vagas limitadas. Os interessados devem se candidatar até o dia 20 de junho. O workshop – com carga horária de 20h – será ministrado de 17 a 19 de setembro, na ONG Viva Rio, no Rio de Janeiro.

O workshop busca promover a troca de experiências, e incentivar uma reflexão crítica sobre a reforma das instituições, através de “estudos de caso” – apresentados pelos próprios alunos – sobre processos de mudança institucional nas cinco regiões brasileiras. A metodologia adotada incentiva os policiais a assumirem o papel de protagonistas na condução das reflexões.

São 12 vagas para o workshop – que conta com o apoio da Fundação Konrad Adenauer e do Fórum Brasileiro de Segurança Pública –, destinadas a policiais civis e militares de todo o Brasil. As despesas de transporte, hospedagem, alimentação e material didático serão custeadas pela organização.

As inscrições somente serão aceitas pela internet, através da ficha de inscrição disponível no edital (link no final da matéria) e no Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Os candidatos serão selecionados por análise dos currículos e dos resumos dos “estudos de caso” propostos durante a inscrição.

Para mais informações, acesse o edital em:

http://blog.comunidadesegura.org/policiaesociedade/wp-content/arquivos/editalworkshop_com_anexos.pdf

sexta-feira, 13 de junho de 2008

"Gangues de Nova York"

As milícias que expulsam traficantes e assumem o controle das favelas são uma nova ameaça violenta no Rio de Janeiro, segundo reportagem publicada nesta sexta-feira pelo jornal americano The New York Times, intitulada "Milícias substituem gangues como reis do crime no Rio".


A reportagem cita o caso da jornalista, do fotógrafo e do motorista do jornal carioca O Dia os quais foram seqüestrados e torturados por membros da milícia que controla a favela do Batan, quando realizavam uma reportagem sobre mercados paralelos ilegais nas favelas.


Os jornalistas alugaram uma casa no local, onde pretendiam passar um mês investigando esses mercados e sua relação com os moradores da comunidade.


"O Brasil é um país que passa por um boom econômico que está tirando milhões de pessoas da pobreza. Mas no Rio, o incidente, que veio à tona em uma série de artigos publicados pelo jornal O Dia, se tornou um proeminente sinal das pressões nesta cidade, contaminada pela violência e por uma força policial notoriamente corrupta", diz o NYT.


O jornal afirma que apesar do crescimento econômico, as favelas continuam se proliferando no Rio, e com elas as milícias, já que a polícia está ocupada combatendo traficantes. Segundo o NYT, os baixos salários acabam levando policiais, bombeiros e funcionários de prisões a formar essas milícias, enquanto mantêm seu trabalho regular.


"As milícias preencheram um vácuo de autoridade prometendo aos moradores segurança em troca de pagamentos. Ao mesmo tempo, eles tomam para si uma série de empresas ilegais: o controle do suprimento de água e gás natural, de máquinas de apostas, a divisão de conexões de TV a cabo e, em muitos casos, a venda de drogas."


Mas o jornal afirma que, para muitas das comunidades, as milícias são o mal menor, e cita o chefe da Draco (Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas, que combate o crime organizado no Rio), Cláudio Ferraz, para quem as milícias ganham a simpatia das comunidades por expulsar os traficantes.


"As milícias, estimadas entre 60 e 100, têm conexões poderosas e freqüentemente estão ligadas não apenas à força policial da cidade, mas também a políticos que oferecem um porto seguro em troca da garantia de votos ou dinheiro dos moradores", afirma a reportagem, citando os casos do vereador Jerônimo Guimarães Filho, preso em dezembro acusado de formação de milícia, e do deputado e ex-chefe de polícia do Rio Álvaro Lins, acusado de ajudar na formação de grupos armados.


A polícia tem medo de agir contra as milícias por causa das violentas represálias, diz o jornal, e mesmo os jornalistas seqüestrados e torturados mantiveram seu nome em sigilo, numa tentativa de evitar atos de vingança.


O jornal descreve a tortura sofrida pelos jornalistas e comenta que um dos suspeitos já identificados foi preso, mas outro conseguiu fugir.


"Durante uma visita na semana passada, tudo estava quieto em Batan, mas os nervos ainda estavam em frangalhos. Uma forte presença policial era visível por toda a favela, com patrulhas circulando de poucos em poucos minutos. Os moradores disseram não acreditar que isso duraria muito."


"Enquanto alguns moradores lamentavam o que ocorreu com os jornalistas, a maioria disse que se sente mais seguro com a milícia. Poucos, no entanto, revelaram seus nomes quando discutiram o assunto, dizendo temer retaliação", afirma a reportagem.


Uma moradora disse que as coisas haviam melhorado desde a chegada da milícia na comunidade e outro afirmou que, com a milícia desmantelada, ele temia que, quando a polícia deixasse o local, gangues de traficantes voltariam a invadir a favela, reiniciando o ciclo de violência.


"Vai ser um inferno. Agora estamos nas mãos de Deus", disse o morador ao NYT.


Fonte: Portal Terra